FENOMENOLOGIA PSEUDO-PARAPSICOLÓGICA
HERBERT GONÇALVES ESPUNY

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PARECE, MAS NÃO É!

 

As inúmeras pesquisas realizadas na área parapsicológica trouxeram diversas contribuições na identificação de fenômenos que – aparentemente parapsicológicos – são hoje conhecidos como perfeitamente normais. O fruto dessas pesquisas gerou uma gama de conhecimentos tanto a respeito dos legítimos fenômenos paranormais, como daqueles que assim não poderiam ser classificados. Gerou, também, toda uma série de procedimentos que norteia a pesquisa parapsicológica no sentido de sempre eliminar os fatores que possam excluir a probabilidade de ocorrência de um fenômeno legítimo.

 

A relevância atribuída a esse capítulo da Parapsicologia prende-se, principalmente, a dois fatores:

1o.) A grande maioria das pretensas manifestações parapsicológicas não passa de fenômenos justificados por causas perfeitamente conhecidas;

2o.) O trabalho de pesquisa parapsicológica deve sempre adotar o princípio de reducionismo científico: só se aceita a P.E.S. como causa se forem eliminadas quaisquer outras causas não extra-sensoriais.

Ao estudo dos fenômenos aparentemente parapsicológicos deu-se o nome de fenomenologia pseudo-parapsicológica. O estudo desses fenômenos gerou outra barreira à aceitação da Parapsicologia como ciência: muitos investigadores e pensadores acreditam que tudo possa ser reduzido ao pseudo-parapsicológico, mesmo que evidências objetivas os contrariem. Esta forma de pensar justifica-se pela grande quantidade de fenômenos pseudo-parapsicológicos em detrimento dos legitimamente paranormais, que – proporcionalmente – são pouquíssimos. Mesmo os pesquisadores experientes não escondem essa “ponta” de decepção. Milan Ryzl comenta: “Nas demonstrações de clarividência, eu comumente ouvia `dissertações`, em que abundavam generalidades que podiam aplicar-se a qualquer pessoa. Ou, então, o clarividente procurava obter sutis e pujentes casuais habilmente escolhidas.”(Parapsicologia Atual.Fatos e realidades.2ed.São Paulo:Ibrasa,1979.p.18).

 

 

FENÔMENOS PSEUDO-PARAPSICOLÓGICOS.  

 

ILUSIONISMO.

Os artifícios utilizados pelo Ilusionismo são famosos no mundo inteiro. O profissionalismo alcançado por muitos desses mágicos pode gerar truques impossíveis de serem percebidos por leigos. A pesquisa parapsicológica procura, de imediato, eliminar manobras de caráter ilusionista posto que boa parte dos supostos fenômenos parapsicológicos não passam de engenhosidades criadas para enganar os inexperientes.

Apresentar-se como mágico profissional é exercer dignamente a profissão. Apresentar-se como paranormal e utilizar-se de truques para ludibriar a boa fé alheia e, com isso, obter vantagens, é , certamente, atitude reprovável que parapsicólogos do mundo inteiro têm reprimido e denunciado.

 

SUBJETIVISMOS.  

Muitos fenômenos aparentemente parapsicológicos podem ser frutos de uma má interpretação das pessoas envolvidas. Não é incomum grupos inteiros de pessoas serem induzidos a erros por falta de observação cuidadosa.

A Psicologia tem uma área de estudo denominada Psicologia das massas. Sabe-se que o comportamento de um grupo de pessoas é diferente daquele que o indivíduo apresenyta quando está só. A histeria coletiva diante de supostas manifestações parapsicológicas pode ser explicada pela “contaminação”natural dos mais realistas pelos mais impressionáveis. Portanto, os fenômenos relatados por grupos devem ser estudados e, cuidadosamente, analisados.

Outro ponto que o subjetivismo pode influenciar é o que se chama de relato de longa data. O parapsicólogo deve estar sempre atento quando entrevista testemunhas de fatos ocorridos há longo tempo. Normalmente a testemunha tende a descrever o que, consciente ou inconscientemente, GOSTARIA que tivesse ocorrido e não o que REALMENTE ACONTECEU.

Muitas são as causas de atitudes subjetivas que podem alterar o sentido e a direção de uma pesquisa parapsicológica. Até mesmo quando se observa diretamente o fenômeno, o parapsicólogo treinado deve refrear a imaginação para que o seu julgamento não seja prejudicado.

 

 

HIPERESTESIA

A Hiperestesia é o fenômeno pseudo-parapsicológico que mais confunde o pesquisador e o público leigo. A palavra é formada por hiper = ampliado e estesis = percepção. Define-se como um aumento significativo da capacidade de emissão e recepção de informações pelos meios normais de conhecimento.

Sabe-se que não há um limite rígido da capacidade sensorial dos seres (audição, visão, paladar, olfato e tato) haja vista a individualidade própria de cada um. As tabelas que definem os valores  “normais” são aquelas obtidas com os rendimentos médios da população. No processo hiperestésico esses valores são superados em números bastante superiores à média.

 

 

HIPERESTESIA PERCEPTIVA.

Hiperestesia Perceptiva é a capacidade que os seres possuem de receber os mínimos sinais ou estímulos sensoriais. É a capacidade perceptiva levada a um hiper aproveitamento.

De forma genérica podemos observar na natureza algumas demonstrações de hiperestesia, se compararmos certas capacidades perceptivas com as do homem. O urubu é atraído a enormes distancias pelo cheiro da carne putrefada; a abelha, da mesma forma, pela flor; a mosca e a formiga podem ser atraídas a grandes distâncias por gotículas de mel; a águia e a gaivota enxergam, de grandes alturas, pequenos peixes ou animais; o faro do cachorro consegue identificar e perseguir estímulos olfativos mínimos.

O homem pode desenvolver a hiperestesia perceptiva de forma consciente. Pode surgir espontaneamente ou como fruto de exercícios continuados. Exemplos são comuns em deficientes de algum dos sentidos que acabam desenvolvendo hiperestesia em outro para compensar (é o caso dos cegos que possuem a audição mais apurada ou os surdos-mudos que possuem a visão mais desenvolvida); também certos índios que conseguem perceber a chegada de estranhos a várias centenas de metros apenas colocando o ouvido no chão. Outros exemplos são encontrados no talento especial de certas pessoas para degustação (vinhos, cafés, etc.), para Arte (pintores distinguem matizes de cores imperceptíveis para aqueles não treinados) e em profissionais em que o sentido apurado é necessário (como os marinheiros, famosos pela acuidade visual).

Contudo, a descoberta mais interessante é que todos os seres humanos possuem hiperestesia perceptiva, só que em nível inconsciente. Carrington, hipnólogo inglês do início do século, provou este fato com experimentos bastante significativos. Introduziu numa sala, pela primeira vez, uma pessoa por um minuto. A sala estava repleta de objetos diferentes. Ao sair, a pessoa recordava-se de dez a vinte objetos diferentes. Porém, quando hipnotizada, essa mesma pessoa conseguia mencionar quarenta, cinqüenta e, às vezes, até todos os objetos da sala, que podiam chegar ao número de cem.

Em nível inconsciente guardamos uma quantidade muito maior de informações que não estão disponíveis conscientemente. Essa realidade foi comprovada em outros experimentos. Num cinema dos EUA foi colocado no filme que estava sendo projetado,  em um entre vinte e cinco fotogramas (da fita) uma mensagem imperceptível a olho nu: “coma pipocas”. A venda do produto aumentou em mais de 30% no período da mensagem. Esse tipo de propaganda, subliminar, é proibido.

 

 

EMISSÃO HIPERESTÉSICA.  

Emissão hiperestésica é a capacidade que o homem possui de exteriorizar e objetivar em seu organismo os estados psíquicos.  

A experiência popular vivencia fatos dessa natureza. O ato de corar as bochechas do rosto é uma forma de exteriorizar a vergonha ou a inibição, muitas vezes sem a consciência do envolvido. Outras grandes formas de expressão podem ser sentidas como a raiva, o desinteresse, a alegria, etc. Contudo, na hiperestesia emissiva, TODOS os nossos estados internos têm expressões no nosso corpo físico, embora essas expressões sejam imperceptíveis a olho nu, mas captadas, inconscientemente, por outras pessoas.

Experimentos desenvolvidos pelos Drs. Lehmann e Hansen (Universidade de Copenhague) demonstraram que só o fato de se pensar em alguma palavra as cordas vocais emitem vibrações mínimas que podem ser captadas por ouvidos hiperestésicos. Semelhantes conclusões foram o resultado de estudos do Dr. Calligaris (Universidade de Roma) quando, baseado em seus experimentos, afirmou que “todo ato psíquico, consciente ou inconsciente, têm seus correspondentes reflexos fisiológicos, inclusive epidérmicos, especialmente em certas zonas que seriam próprias para cada ato”; Chevreul (pesquisador francês) afirmou que “o pensamento de uma ação pode mover nossos músculos sem que tenhamos conhecimento ou vontade”; Bain (também francês) anunciou, como resultado de seus trabalhos, que “todo ato psíquico determina um reflexo fisiológico, e este reflexo se irradia por todo o corpo e cada uma de suas partes”.

 

 

FENÔMENOS PARAPSICOLÓGICOS E A HIPERESTESIA.

Os fenômenos hiperestésicos foram responsáveis por boa parte daquilo que se julgava parapsicológico. Milhares de casos citados na literatura relatam que as pesquisas com a Hiperestesia ajudaram a desvendar “mistérios”de todos os tipos.

Os exemplos mais comuns são de pessoas hiperestésicas que conseguem “ler”o pensamento de outra; se forem analisadas as possibilidades da Hiperestesia podemos concluir que ela pode ser a responsável pela “capacidade”   de muitos quiromantes, cartomantes, astrólogos, etc.

A Hiperestesia, contudo, é limitada. Tanto o receptor quanto o emissor devem estar próximos, no mesmo ambiente, para que possa ter efeito. A diferença entre a Telepatia (fenômeno parapsicológico) e a  sua semelhante hiperestésica (pseudo-parapsicológico) é que a primeira não é limitada em termos de espaço, mas a segunda, sim.

 

REFERÊNCIAS:

AMADOU, Robert. Parapsicologia.São Paulo:Ed. Mestre Jou, 1966.

STILL, Alfred. Nas Fronteiras da Ciência e da Parapsicologia. 2a.ed. São Paulo: IBRASA, 1968.

SUDRE, René. Tratado de Parapsicologia.2a. ed.Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1976.

 

 herbert@espuny.com.br

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