PARECE,
MAS NÃO É!
As inúmeras pesquisas
realizadas na área parapsicológica trouxeram diversas contribuições
na identificação de fenômenos que – aparentemente parapsicológicos
– são hoje conhecidos como perfeitamente normais. O fruto
dessas pesquisas gerou uma gama de conhecimentos tanto a respeito
dos legítimos fenômenos paranormais, como daqueles que assim não
poderiam ser classificados. Gerou, também, toda uma série de
procedimentos que norteia a pesquisa parapsicológica no sentido
de sempre eliminar os fatores que possam excluir a probabilidade
de ocorrência de um fenômeno legítimo.
A
relevância atribuída a esse capítulo da Parapsicologia
prende-se, principalmente, a dois fatores:
1o.)
A grande maioria das pretensas manifestações parapsicológicas não
passa de fenômenos justificados por causas perfeitamente
conhecidas;
2o.)
O trabalho de pesquisa parapsicológica deve sempre adotar o princípio
de reducionismo científico: só se aceita a P.E.S. como causa se
forem eliminadas quaisquer outras causas não extra-sensoriais.
Ao
estudo dos fenômenos aparentemente parapsicológicos deu-se o
nome de fenomenologia pseudo-parapsicológica. O estudo desses fenômenos
gerou outra barreira à aceitação da Parapsicologia como ciência:
muitos investigadores e pensadores acreditam que tudo possa ser
reduzido ao pseudo-parapsicológico, mesmo que evidências
objetivas os contrariem. Esta forma de pensar justifica-se pela
grande quantidade de fenômenos pseudo-parapsicológicos em
detrimento dos legitimamente paranormais, que –
proporcionalmente – são pouquíssimos. Mesmo os pesquisadores
experientes não escondem essa “ponta” de decepção. Milan
Ryzl comenta: “Nas demonstrações de clarividência, eu
comumente ouvia `dissertações`, em que abundavam generalidades
que podiam aplicar-se a qualquer pessoa. Ou, então, o
clarividente procurava obter sutis e pujentes casuais habilmente
escolhidas.”(Parapsicologia Atual.Fatos e realidades.2ed.São
Paulo:Ibrasa,1979.p.18).
FENÔMENOS
PSEUDO-PARAPSICOLÓGICOS.
ILUSIONISMO.
Os
artifícios utilizados pelo Ilusionismo são famosos no mundo
inteiro. O profissionalismo alcançado por muitos desses mágicos
pode gerar truques impossíveis de serem percebidos por leigos. A
pesquisa parapsicológica procura, de imediato, eliminar manobras
de caráter ilusionista posto que boa parte dos supostos fenômenos
parapsicológicos não passam de engenhosidades criadas para
enganar os inexperientes.
Apresentar-se
como mágico profissional é exercer dignamente a profissão.
Apresentar-se como paranormal e utilizar-se de truques para
ludibriar a boa fé alheia e, com isso, obter vantagens, é ,
certamente, atitude reprovável que parapsicólogos do mundo
inteiro têm reprimido e denunciado.
SUBJETIVISMOS.
Muitos
fenômenos aparentemente parapsicológicos podem ser frutos de uma
má interpretação das pessoas envolvidas. Não é incomum grupos
inteiros de pessoas serem induzidos a erros por falta de observação
cuidadosa.
A
Psicologia tem uma área de estudo denominada Psicologia das
massas. Sabe-se que o comportamento de um grupo de pessoas é
diferente daquele que o indivíduo apresenyta quando está só. A
histeria coletiva diante de supostas manifestações parapsicológicas
pode ser explicada pela “contaminação”natural dos mais
realistas pelos mais impressionáveis. Portanto, os fenômenos
relatados por grupos devem ser estudados e, cuidadosamente,
analisados.
Outro
ponto que o subjetivismo pode influenciar é o que se chama de
relato de longa data. O parapsicólogo deve estar sempre atento
quando entrevista testemunhas de fatos ocorridos há longo tempo.
Normalmente a testemunha tende a descrever o que, consciente ou
inconscientemente, GOSTARIA que tivesse ocorrido e não o que
REALMENTE ACONTECEU.
Muitas
são as causas de atitudes subjetivas que podem alterar o sentido
e a direção de uma pesquisa parapsicológica. Até mesmo quando
se observa diretamente o fenômeno, o parapsicólogo treinado deve
refrear a imaginação para que o seu julgamento não seja
prejudicado.
HIPERESTESIA
A Hiperestesia é o fenômeno
pseudo-parapsicológico que mais confunde o pesquisador e o público
leigo. A palavra é formada por hiper =
ampliado e estesis =
percepção. Define-se como um
aumento significativo da capacidade de emissão e recepção de
informações pelos meios normais de conhecimento.
Sabe-se
que não há um limite rígido da capacidade sensorial dos seres
(audição, visão, paladar, olfato e tato) haja vista a
individualidade própria de cada um. As tabelas que definem os
valores “normais”
são aquelas obtidas com os rendimentos médios da população. No
processo hiperestésico esses valores são superados em números
bastante superiores à média.
HIPERESTESIA
PERCEPTIVA.
Hiperestesia
Perceptiva é a capacidade que os seres possuem de receber os mínimos
sinais ou estímulos sensoriais. É a capacidade perceptiva levada
a um hiper aproveitamento.
De
forma genérica podemos observar na natureza algumas demonstrações
de hiperestesia, se compararmos certas capacidades perceptivas com
as do homem. O urubu é atraído a enormes distancias pelo cheiro
da carne putrefada; a abelha, da mesma forma, pela flor; a mosca e
a formiga podem ser atraídas a grandes distâncias por gotículas
de mel; a águia e a gaivota enxergam, de grandes alturas,
pequenos peixes ou animais; o faro do cachorro consegue
identificar e perseguir estímulos olfativos mínimos.
O
homem pode desenvolver a hiperestesia perceptiva de forma
consciente. Pode surgir espontaneamente ou como fruto de exercícios
continuados. Exemplos são comuns em deficientes de algum dos
sentidos que acabam desenvolvendo hiperestesia em outro para
compensar (é o caso dos cegos que possuem a audição mais
apurada ou os surdos-mudos que possuem a visão mais
desenvolvida); também certos índios que conseguem perceber a
chegada de estranhos a várias centenas de metros apenas colocando
o ouvido no chão. Outros exemplos são encontrados no talento
especial de certas pessoas para degustação (vinhos, cafés,
etc.), para Arte (pintores distinguem matizes de cores imperceptíveis
para aqueles não treinados) e em profissionais em que o sentido
apurado é necessário (como os marinheiros, famosos pela acuidade
visual).
Contudo,
a descoberta mais interessante é que todos os seres humanos
possuem hiperestesia perceptiva, só que em nível inconsciente.
Carrington, hipnólogo inglês do início do século, provou este
fato com experimentos bastante significativos. Introduziu numa
sala, pela primeira vez, uma pessoa por um minuto. A sala estava
repleta de objetos diferentes. Ao sair, a pessoa recordava-se de
dez a vinte objetos diferentes. Porém, quando hipnotizada, essa
mesma pessoa conseguia mencionar quarenta, cinqüenta e, às
vezes, até todos os objetos da sala, que podiam chegar ao número
de cem.
Em
nível inconsciente guardamos uma quantidade muito maior de
informações que não estão disponíveis conscientemente. Essa
realidade foi comprovada em outros experimentos. Num cinema dos
EUA foi colocado no filme que estava sendo projetado,
em um entre vinte e cinco fotogramas (da fita) uma mensagem
imperceptível a olho nu: “coma pipocas”. A venda do produto
aumentou em mais de 30% no período da mensagem. Esse tipo de
propaganda, subliminar, é proibido.
EMISSÃO
HIPERESTÉSICA.
Emissão
hiperestésica é a capacidade que o homem possui de exteriorizar
e objetivar em seu organismo os estados psíquicos.
A
experiência popular vivencia fatos dessa natureza. O ato de corar
as bochechas do rosto é uma forma de exteriorizar a vergonha ou a
inibição, muitas vezes sem a consciência do envolvido. Outras
grandes formas de expressão podem ser sentidas como a raiva, o
desinteresse, a alegria, etc. Contudo, na hiperestesia emissiva,
TODOS os nossos estados internos têm expressões no nosso corpo físico,
embora essas expressões sejam imperceptíveis a olho nu, mas
captadas, inconscientemente, por outras pessoas.
Experimentos
desenvolvidos pelos Drs. Lehmann e Hansen (Universidade de
Copenhague) demonstraram que só o fato de se pensar em alguma
palavra as cordas vocais emitem vibrações mínimas que podem ser
captadas por ouvidos hiperestésicos. Semelhantes conclusões
foram o resultado de estudos do Dr. Calligaris (Universidade de
Roma) quando, baseado em seus experimentos, afirmou que “todo
ato psíquico, consciente ou inconsciente, têm seus
correspondentes reflexos fisiológicos, inclusive epidérmicos,
especialmente em certas zonas que seriam próprias para cada
ato”; Chevreul (pesquisador francês) afirmou que “o
pensamento de uma ação pode mover nossos músculos sem que
tenhamos conhecimento ou vontade”; Bain (também francês)
anunciou, como resultado de seus trabalhos, que “todo ato psíquico
determina um reflexo fisiológico, e este reflexo se irradia por
todo o corpo e cada uma de suas partes”.
FENÔMENOS
PARAPSICOLÓGICOS E A HIPERESTESIA.
Os
fenômenos hiperestésicos foram responsáveis por boa parte
daquilo que se julgava parapsicológico. Milhares de casos citados
na literatura relatam que as pesquisas com a Hiperestesia ajudaram
a desvendar “mistérios”de todos os tipos.
Os
exemplos mais comuns são de pessoas hiperestésicas que conseguem
“ler”o pensamento de outra; se forem analisadas as
possibilidades da Hiperestesia podemos concluir que ela pode ser a
responsável pela “capacidade”
de muitos quiromantes, cartomantes, astrólogos, etc.
A
Hiperestesia, contudo, é limitada. Tanto o receptor quanto o
emissor devem estar próximos, no mesmo ambiente, para que possa
ter efeito. A diferença entre a Telepatia (fenômeno parapsicológico)
e a sua semelhante
hiperestésica (pseudo-parapsicológico) é que a primeira não é
limitada em termos de espaço, mas a segunda, sim.
REFERÊNCIAS:
AMADOU,
Robert. Parapsicologia.São Paulo:Ed. Mestre Jou, 1966.
STILL,
Alfred. Nas Fronteiras da Ciência e da Parapsicologia.
2a.ed. São Paulo: IBRASA, 1968.
SUDRE,
René. Tratado de Parapsicologia.2a. ed.Rio de
Janeiro: Zahar Editores, 1976.