O
laboratório parapsicológico deve ser agradável, aconchegante e
refletir um ambiente tranquilo e sossegado. É verdade que
estaremos trabalhando com observações detalhadas, cálculos
estatísticos e considerações lógicas e racionais. Contudo, não
nos esqueçamos que os paranormais são seres humanos e que,
muitas vezes, só manifestarão quaisquer fenômenos se estiverem
num ambiente que lhes inspire confiança. Não nos esqueçamos,
também, que boa parte dos paranormais está ligada a religiões
ou seitas esotéricas e que, portanto, acostumaram-se a
manifestarem os fenômenos em seu "habitat" (um centro
espírita, um local de "trabalhos" esotéricos, etc.).
Desse modo, o parapsicólogo que não obtiver resultados satisfatórios
com um determinado sensitivo em laboratório, deve avaliar a
possibilidade de testá-lo no ambiente que o mesmo habituou-se a
manifestar a fenomenologia paranormal.
De
forma geral, um laboratório parapsicológico deve conter:
a)
Aposentos médios: lugares muito amplos podem não gerar
aconchego;
b)
Paredes com pinturas sóbrias: É contra indicada a pintura
com cores agressivas ou uma decoração carregada ;
c)
Cadeiras confortáveis: O sensitivo deve sentir-se o mais
relaxado possível;
d)
Móveis pesados: Evitam fraudes por manipulação. Devem ser
posicionados de tal forma que se avalie, após um experimento, se
foram movimentados por psicocinesia do sensitivo;
e)
Controles no ambiente: Filmadoras, máquinas fotográficas,
eletroscópio de folhas de ouro ( detetor de ondas eletromagnéticas),
eletrobiógrafo, eletroencefalógrafo, etc.;
f)
Círculo harmonioso de pessoas: Os sensitivos são pessoas,
geralmente, muito suscetíveis. Caso haja alguma incompatibilidade
entre o sensitivo e alguém da equipe de pesquisa ou apoio, é
preferível retirar a pessoa, deixando o sensitivo mais à
vontade;
g)
Seriedade e sobriedade: As pesquisas devem ser sérias,
contudo, deve ser mantida a sobriedade. Alguém que questione o
tempo inteiro o sensitivo, pressionando-o por provas, não deve
ser mantido, pois inibe o experimento;
h)
Respeito à concepções do sensitivo: Ao parapsicólogo não
cabe discutir com o sensitivo suas concepções religiosas ou
ocultistas, nem doutriná-lo de forma alguma. O que interessa é o
fenômeno não o que o sensitivo pensa ou acredita a respeito. Da
mesma forma, o parapsicólogo deve entender que, ao sensitivo,
muito pouco atraente é a crença do cientista, seja ela qual for.
Por isso, o parapsicólogo deve deixar claro que o experimento é
científico e que não há a preocupação de se "comprovar
" ou não concepções de caráter espiritualista. No fundo,
tudo não passa de uma questão de nomenclatura: dizer
"livro" ou 'book" muda, essencialmente, quase nada:
o objeto é o mesmo, o que muda é o idioma. No atual estágio de
conhecimentos, se dissermos "espírito" ou
"inconsciente" estaremos apenas utilizando-nos de dois
termos diferentes para coisas que, rigorosamente, não são
totalmente conhecidas do homem;
i)
Caso necessário, reproduzir o ambiente do sensitivo: Se não
for possível pesquisar o fenômeno no local onde habitualmente o
sensitivo o manifesta e, ao mesmo tempo, o sensitivo não
conseguir manifestá-lo em laboratório, considerar a
possibilidade de reproduzir, artificialmente, o ambiente no qual o
sensitivo está habituado. Convidar as pessoas que, normalmente,
participam das sessões e implementar uma decoração que deixe o
ambiente mais "familiar", pode gerar bons resultados práticos.
Para efeito de pesquisa, documentar os experimentos com e sem
estas providências;
j)
Cuidado com as sugestões: O parapsicólogo deve abster-se de
sugerir qualquer coisa ao sensitivo. A, sugestão muitas vezes
inconsciente, pode influenciar no resultado da pesquisa.
l)
Equipe de pesquisas: O parapsicólogo deve ter, na equipe, um
médico e um psicólogo, no caso do sensitivo necessitar de apoio.
Saber das condições clínicas e psicológicas é útil para se
determinar, inclusive, o limite de cada pesquisa.
REFERÊNCIAS:
AMADOU,
Robert. Parapsicologia.São Paulo:Ed. Mestre Jou, 1966.
SUDRE,
René. Tratado de Parapsicologia.2a. ed.Rio de
Janeiro: Zahar Editores, 1976.