O
homem sempre trouxe consigo a "angústia das origens".
Esse tipo de sentimento reflete-se nas clássicas perguntas:
"de onde vim?, para onde vou?, quem sou?". Estudos
arqueológicos demonstraram que desde tempos bastante remotos, o
homem já se preocupava em atribuir forças superiores aos fenômenos
que não podia explicar. Essa "angústia" inerente ao
homem é o resultado do reconhecimento de suas limitações diante
das forças naturais ( o vento, o mar, o sol, etc.) conjugado com
o aparecimento da consciência, que desenvolveu questionamentos,
tais como "existe vida após a morte?" ou "qual a
finalidade da vida?". A tais questões o homem nunca forneceu
respostas satisfatórias, objetivamente. Mas, para aliviar a
consciência, o homem passou a utilizar-se de um poderoso
instrumento capaz de dirimir quaisquer dúvidas: a fé! Pela fé,
o homem poderia responder a todas as questões e o desenvolvimento
das religiões e do ocultismo tem um laço estreito com essas
inquietantes indagações.
Os
primeiros homens dividiam-se em dois grupos: o grupo dos agrícolas
e o grupo dos nômades. Aos agrícolas cabia cultuar a terra e
aprender a receber os frutos da mesma. As tribos agrícolas eram
constituídas de homens que se fixavam num local e atribuíam à
terra que os alimentava, uma série de poderes divinos. Como não
compreendiam os mecanismos do plantio, do crescimento e da
frutificação, tal qual hoje os conhecemos, atribuíam poderes
divinos à Grande Mãe, a terra, pela fartura. Desses povos
advieram todos os mitos femininos que nos foram trazidos como
herança desde tempos imemoriais (ex., Ísis, a deusa egípcia da
fertilidade).
Os
nômades não tinham lugares fixos e viviam muito mais da caça e
daquilo que podiam saquear dos agrícolas. Não tinham a mesma dedicação
à terra que os agrícolas e seus cultos eram bem diferentes.
Admiravam as estrelas e acreditavam que os verdadeiros deuses
povoavam os céus. Dos povos nômades vieram os deuses guerreiros
e conquistadores, além da idéia geralmente difundida de que
"deus está no céu".
Das
observações do firmamento surgiram várias crenças, deuses e até
o templo, espaço sagrado onde fiéis se reúnem para seus
rituais.
O
termo "TEMPLUM" adveio de um quadrilátero imaginário
que os antigos sacerdotes traçavam no céu, tomando como referência
certas estrelas do firmamento. O que se passava dentro desse
quadrilátero era motivo de análise e previsão: nuvens, vôo dos
pássaros, etc. Com o tempo, projetou-se esse espaço no chão e aí
se faziam as previsões. Paredes foram edificadas no perímetro do
quadrilátero e acima delas, o teto.
O
termo "FANUM" representa aquilo que está dentro do
templo, sagrado. "PROFANUN", conseqüentemente,
representa o que está fora, ou seja, o não sagrado. O próprio
termo SAGRADO vem do latim SACER, que significa lugar marcado,
delimitado.
Com
o passar do tempo, as religiões foram mudando e, com essas mudanças,
houve alterações dos dogmas e dos objetos de adoração. No início,
o sol, as estrelas, o vento, a tempestade e outros fenômenos
naturais poderiam ser considerados divindades, mas a evolução do
conhecimento se encarregou de mudar muitas crenças.
As
primeiras manifestações religiosas estavam ligadas ao primitivo
ANIMISMO. Nessa prática, os antigos acreditavam que, atrás
de forças - hoje conhecidas e consideradas naturais - haviam
deuses ocultos. Os animistas cultuavam como deuses o céu, a lua,
o sol, os animais, etc.
O
Animismo evoluiu para o TOTEMISMO, que caracteriza-se:
a)
Pela estreita ligação de um determinado grupo humano (CLÃ) a
uma espécie animal ou vegetal ou, ainda, a uma classe de objetos;
b)
Pela edificação de um monumento (TOTEM), representante do grupo
humano;
c)
Pelo nome que se atribuía aos membros, derivado da espécie ou
objeto que o CLÃ representava (Exemplos: os ursos, os castores,
os corvos, etc.);
d)
Pelos rituais e procedimentos sociais que exprimiam suas crenças.
Além
de animais, vegetais ou objetos diversos ( a madeira, a água,
etc.), os totemistas podiam divinizar também um antepassado
querido, um bem-feitor ou um herói imaginário ou real).
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